Nós não entendemos de futebol  

Antes da bola rolar para este primeiro baVI do ano, depois de ver a escalação do time com 4 volantes de origem e sem nenhum armador, pensei “Nós, torcedores, não entendemos nada de futebol”. O “nós” era resultado de uma série de discussões com torcedores do Vitória antes do jogo. Se o time deveria jogar com 2 ou 3 volantes.

Alguns torcedores diziam que com 3 volantes reforçava mais a defesa, já que a mesma era bem jovem e Elton não era lateral esquerdo de origem. Outros diziam que com 3 volantes ia chamar muito o adversário para cima e com 2 armadores já seguraria o time adversário no campo dele, protegendo assim a bola de chagar de forma demasiada a nossa defesa. E como esse mesmo adversário possuía uma defesa lenta, nada melhor do que jogar a velocidade de bons armadores em cima deles, para infernizar a vida da zaga adversária.

Particularmente sou mais adepto da segunda opção, do esquema ofensivo. Além disso quando o Vitória joga para cima tem conseguido bons resultados, a exemplo do último jogo contra o genérico de Feira. Mas aceitaria 3 volantes se um deles tivesse também características ofensivas, funcionando como volante quando em defesa e ajudando na armação quando em ataque. E junto com um bom armador, preferencialmente veloz, para infernizar o lento adversário que teríamos e garantir uma boa ligação entre o meio e o ataque, proporcionando assim boas jogadas objetivando o gol.

Mas, contrariando todos os torcedores e provando que nós não entendemos de futebol, ele armou o time com esquema de 4 volantes!! E 4 volantes de ofício.

baVI 12/02/12

Se entendêssemos de futebol poderíamos dizer que Cerezo foi frouxo na armação e jogou para não perder. O time ficou o primeiro tempo todo recuado e acuado, e como o time aparentemente melhorou quando entraram Arthur Maia e Pedro Ken – fazendo um esquema de 2 volantes com 2 armadores – se entendéssemos de futebol diríamos também que se tivesse ido para cima desde o começo teríamos amplas chances de vencer a partida. Mas como não entendemos nada de futebol, não podemos falar nada sobre isso.

Nem podemos falar que ele não agiu de forma correta ao reclamar publicamente que teve individualismo no jogo. É claro que o fato dele não ter dado opções para os jogadores melhores tecnicamente de jogar em grupo para fazer gol – objetivo básico do futebol – não conta, já que jogar em grupo, neste baVI, significava jogar fechado. Não, não podemos falar isso, pois não entendemos de futebol e esses “rebeldes” individualistas devem ser punidos por ousarem utilizar o talento para tentar fazer que a bola chegue as redes adversários.

Um parentese: não estou dizendo com isso que Mineiro e Marquinhos não exageraram no desperdício no prosseguimento de muitas jogadas, chegando a me irritar algumas vezes. Ele estão com o ego lá em cima e precisam baixar mais a bola, principalmente Mineiro, jovem garoto em início de carreira. Mas precisamos entender que, principalmente Marquinhos, não tinha com quem jogar no esquema adotado.

Se entendéssemos de futebol, poderíamos avisar antes a Cerezo que o finado é um time que vem atuando de forma muito limitada ao longo desse campeonato, tomando sufoco do genérico, do Itabuna e outros, vencendo alguns dos últimos jogos com a calças nas mãos e/ou com o apito amigo.

O fato é que eu vi um dos piores baVIs da minha vida, com pouco ou nenhuma emoção, um com medo do outro. E desde a década de 90 eu não via o Vitória respeitar o finado como respeitou ontem. A falta de apetite de ambos os lados resultou no baVI mais bisonho dos últimos anos.

baVI da paz

Mas, acredito que até o fim do ano eu possa “aprender” mais sobre futebol e consiga chegar ao mesmo nível (?) de entendimento dos técnicos que tem passado por aqui nos últimos anos.

Menção honrosa para Gabriel que, mesmo tendo tomado um cartão amarelo logo no início do primeiro tempo, jogou muito bem e anulou Souza por completo.

Outra menção honrosa também para a nossa linda torcida. Comparecemos em bom número e vibramos do começo ao fim, mesmo debaixo de um sol escaldante. Merecíamos coisa melhor.

Torcida RN no Negopolitano

Uma breve divagação para encerrar: Lembro que caímos em 2010 jogando com 3 volantes, não subimos em 2011 jogando com 3 volantes e perdemos o baiano também em 2011 jogando com 3 volantes. E Cerezo agora “inova” e coloca 4 volates. Ou existe algum “palpiteiro” de plantão dentro do clube passando para todos os técnicos nos últimos anos que temos os melhores volantes do mundo, ou o clube virou o almoxarifado da Ford.

Avante, Leão! Rumo ao PENTA.

Sobre João Werther

Werther, ou Jonga como também é conhecido, é um eterno apaixonado por cerveja, mulheres e, é claro, pelo nosso glorioso Leão da Barra, mais conhecido como Esporte Clube Vitória.
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Uma Resposta para Nós não entendemos de futebol

  1. Ricardo Santos disse:

    Verdade,

    Não entendemos nada de futebol!

    A piada mais sem graça de CEREZO foi essa escalação vergonhosa !

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